IRMÃOS DO REI - Uma Análise dos Caracteres Que Compõem a Família de Deus
Resumo do Livro: IRMÃOS DO REI - Uma Análise dos Caracteres Que Compõem a Família de Deus
Autor: Arthur W. Spalding
Elaborado por Yla B. Vasconcellos
Introdução
"Não se turbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito; pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também" Jo 14:1-3
Não agora a glória, porém! É preciso preparo para ela. Porque essa glória é a expressão exterior do caráter do Rei, e primeiro, antes da glória, tem de penetrar a alma de cada um dos cidadãos daquele reino o motivo, o poder, o caráter dAquele que é o autor da glória.
Por muito tempo lhes apresentara Ele o precioso dom da fraternidade, a camaradagem da comunhão mútua entre os discípulos e deles com o Mestre.
Quem são os irmãos do Rei? A reposta está em Mateus 12:49 e João 20:17.
Ser irmão do Rei implica desenvolver o Seu caráter.
"Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" Jo 13:35 Aí está a pedra de toque da sinceridade: o amor. Pode alguém conhece a Bíblia de capa a capa; pode ter habilidade para disputar em círculos teológicos; saber pregar sermões admiráveis; espalhar esmolas a mãos cheias; mas a menos que possua amor para com os condiscípulos e com todos os homens, não será discípulo de Jesus.
A doutrina é o arcabouço da religião, e sem ela não pode haver igreja. Mas a doutrina não é a vida; ela é apenas o esqueleto, ou a carne, ou a forma.
O amor é a lei do Reino, é a senha, é o poder edificante. Sem amor ninguém entrará no reino de Deus. Pelo amor prova-se o discípulo, e com ele, só, é que ele viverá na presença de seu Senhor.
Não é um amor comum o que Jesus requer de nós. Para certas relações bastaria um amor muito débil e muito comum. O amor de Jesus, porém, vai mais longe do que isso. É amor que conquista as coisas desamáveis.
Os apóstolos eram homens de caráter muito diverso. Embora Jesus tivesse que discipliná-los, conservou-Se bem próximo deles, por Seu amor; e por esse amor alcançaram afinal uma transformação de caráter que os tornou homens de quilate inteiramente diverso.
Não podemos melhorar qualquer caráter defeituoso, criticando-o; podemos, sim, melhorá-lo prestando-lhe amoroso serviço. Nunca poderemos levar alguém para o Céu por meio da crítica; mas podemos, sim, fazê-lo pelo amor. É pelo amor, e não pela crítica, que Jesus conquista almas.
FILHOS DA REFORMA
RÚBEN
"Tu és o meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, o mais excelente em altivez e o mais excelente em poder."
Esse caráter, porém, era arruinado por um defeito fatal: "Inconstante como a água, não serás o mais excelente".
Rúben tinha boas qualidades. Era amável, bom de coração, pronto a aliviar as aflições dos outros, mas lhe faltava espinha dorsal, a resolução de vencer através dos contratempos. Buscava sempre o caminho mais fácil. Assim era na vida particular: não tinha domínio sobre as paixões, não era capaz de dizer não aos seus apetites. Não era decidido, não resistia à oposição dos companheiros.
Aos rubenitas que hão de ir para o Céu: coloque-vos Deus numa situação em que as provações são mais terríveis do que pensais poder suportar; torne o fogo da aflição que vos envia mais e mais quente e se, pela Sua graça, lhe resistirdes até mesmo muito além do ponto que julgáveis morrer - então se operará a mudança do caráter. Vossos pontos fracos se tornarão vossos pontos fortes, vossas inclinações descendentes mudar-se-ão noutras que tendem a subir, vossa força exercer-se-á em favor de Deus e não da carne. Sereis transformados de fracos e inconsistentes rubenitas em rubenitas vigorosos, com as qualidades do vapor nos quais os atributos da bondade e do préstimo se manifestarão num perfeito serviço aos outros.
SIMEÃO
Em Simeão observamos um zelo que, devido à sua natureza apaixonada, degenerava em cólera e traição; podemos ver em Levi um severo sentimento de justiça que, sob más influências, o induziu à punição cruel e selvagem de outros culpados em vez de reprimir seus próprios erros.
O zelo e a lealdade quando impregnados de amor, acham-se entre os mais valiosos traços do caráter cristão, e Deus deles Se serve.
Ao longo da história da igreja, os simeonitas, com sincero zelo, mas sem o conhecimento que vem unicamente por meio do amor, feriram infiéis e heréticos com horrorosa destruição. Pensavam estar fazendo o serviço de Deus, porém, a sentença do Espírito é "maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura". A menos que sejam subjugados pelo amor de Deus, serão levados à condenação de Simeão.
LEVI
Este experimentou grande mudança. Os levitas, na apostasia do Sinai, permaneceram fiéis a Jeová e a tribo foi recompensada com o depósito da perpétua instrução de Israel. "Ensinou os Teus juízos a Jacó, e a Tua lei a Israel. Joquebede, Moisés, Arão, Samuel, Jeremias, dentro outros, foram grandes dessa tribo. Entretanto, são esses alguns dos dirigentes das igrejas cuja rigidez do código e desdenhoso ódio contra a leviandade dos outros irmãos podem, muitas vezes, levar os mais jovens e menos firmes ao desespero e à rebelião. Unicamente pela entrada do amorável Cristo no coração, daí expulsando toda paixão e crueldade, poderão eles tornar-se membros completos da igreja que Deus reconhece como Sua.
FILHOS DA FORÇA
Sobre os quais, como sobre uma grande rocha de defesa, a igreja se reúne para o conflito. Não maiores que qualquer outro, não suficientes em si mesmos, mas fortes e leais quando se entregam ao serviço.
JUDÁ
"Teus irmãos te louvarão, a tua mão estará sobre a cerviz de teus inimigos, os filhos de teu pai se inclinarão a ti... O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló,e a Ele obedecerão os povos". À linhagem de Judá coube à realeza e a procedência de Cristo. Nos seus registros encontram-se nome como os de Calebe, Rute, Davi, Salomão, Josafá, Ezequias, Josias e Maria, mãe de Jesus. Seu defeito, a separação dos outros membros da família. Ao olhar os irmãos e encontrar amplos motivos para censura, foi Judá vier à parte, afastado da igreja, e dentro do mundo. Trabalhou só, entre os gentios, ali fez amigos, ali tomou esposa.
O estado da igreja pode ser baixo por vezes, como era nos dias de Judá; mas o mundo é mais baixo ainda. Judá encontrou-se separado dos mais amplos condutos da graça, sentiu em torno de si a pressão do mal, viu os filhos imergindo na iniqüidade e na morte, sentiu vacilar o próprio pé. Então, ele orou. Dt 33:7 Oração que deve ser feita pelos irmãos de Judá quando o virem resvalando para a separação, desgostoso, cheio de suspeitas e independente.
Deus o ouviu. Voltou ele corrigido e humilde, generoso com as necessidades dos outros e para com as suas faltas, prestativo e servidor. E assim, humilhando-se a servir, Judá se tornou cabeça, segundo a Lei do Mestre: "quem quiser tornar-se grande entre nós, será esse o que vos sirva".
ZEBULOM
Zebulom é esperto homem de negócios. Pertence-lhe a riqueza, tanto porque ele recebeu de Deus, "força para adquirir riquezas", por que está disposto, por sua parte, a ativar-se e abnegar-se pela consecução de seus fins. Ocupam um lugar honroso entre as tribos de Israel.
Grande tentação é para os homens de Zebulom o considerar sua riqueza, não como coisa concedida por Deus, mas ganha pelas faculdades que eles próprios desenvolveram, ou serem egoistamente amigos do luxo ou justamente o contrário, dados à mesquinhez, bem como o condenar o desafortunados e o pobre, o apontar suas visíveis deficiências.
ISSACAR
"Issacar é um jumento de ossos fortes, de repouso entre os rebanhos de ovelhas... E baixou os ombros à carga se sujeitou-se ao trabalho servil".
Pertencem a Issacar os que suportam o mais pesado serviço. Que fardos carrega o jumento - os seus próprios? Não; são sempre os de outros. Há Issacares na igreja e podemos dar graças a Deus porque existem. Não fazem muito efeito em público, não podem pregar eloquentes sermões e atrair aplausos da multidão, não parecem dotados de grandes dons para ensinar, não brilham na sociedade. Mas quando se trata de levar despretensiosamente os fardos ou responsabilidades, os issacaritas se apresentam. Não são muito notados nos dias em que suas mãos tornam o caminho suave, mas quando eles se vão - quando se mudam ou morrem - então sentimos sua falta. Também nos faz falta a solidez de seu juízo, pois, por mais que sejam atraídos pelo brilhante foco de um eloquente orador, volvemo-nos instintivamente, em assuntos de grande importância, para o conselho daqueles que têm manifestado as sólidas qualidades que habilitam a suportar as responsabilidades. Pois "dos filhos de Issacar, conhecedores da época, para saberem o que Israel devia saber" I Cr 12:32.
Como defeito, tem que é muitas vezes tardio, não somente nos movimentos, mas no espírito. E isso não somente desgosta aos outros; é muitas vezes prejudicial à causa de Deus. É dever destes empregar toda a diligência em aperfeiçoar suas faculdades e tornar-se espertos. Assim crescerá a graça de Issacar.
OS FILHOS DA PROVAÇÃO
DÃ
No registro de Apocalipse 7 há uma ausência que se faz notar, a de Dã.
Disse Jacó: "Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel". Dã sobressai por ser perspicaz, varonil, alerta, judicioso, com exata percepção do direito e do erro e um caráter decidido, melhor preparado que a maioria de seus companheiros. Mas "Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás" Maledicente, o crítico, murmurador.
Sabe-se que a tentação de criticar e achar defeitos vem mais fortemente aos homens e às mulheres de vistas penetrantes e animados de desígnios elevados? Não é o simples, o dorminhoco papa-sermões, que mais a experimenta; é o discípulo alerta, de mais fina sensibilidade, e desejoso de progresso, a quem sobrevém mais intensamente a tentação de criticar, Todos nós temos essa tendência e essa tentação, mas em nessa tribo, essa a característica que predomina. Em Dã, o julgamento é degenerado para a crítica. A crítica que se esperava dele era a construtiva, que edifica em lugar de derribar, segundo as instruções dadas em Mt 18: 15-17 e em Gl 6:1, Mas Dã preferiu censurar e detratar.
Atrás disso veio a idolatria. Amós 8:14 e o que é a idolatria? É o culto das qualidades humanas. Não a imagem, mas aquilo que ela representa, em licença e contemporização, atrai o idólatra. O amor a si mesmo é idolatria, bem como é a fonte da crítica. Sempre que criticamos outros, fazemo-lo, embora inconscientemente, por amor de nos elevarmos a nós mesmos na estima dos que nos rodeiam. Isso é justamente o oposto da primeira lei do Reino: "Que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei".
É o mais terrível defeito que aflige a igreja, esse hábito de criticar e detratar. é o mais terrível porque não existe nenhuma tentação tão sutil e que encerra os piores resultados. É canibalismo espiritual esse devorar de caracteres de homens.
Essa é uma falta que merece as mais severas medidas de supressão. O segredo do êxito consiste na absorção do amor através de um estudo e recepção do caráter de Cristo. Se vivemos com Ele por meio do estudo diário de Sua Palavra, do contato diário da oração, do serviço prestado aos outros dia-a-dia pela forma inspirada por Ele, então a crítica e a inveja serão expulsas de nossa vida. Eis a maneira de sair da tribo de Dã. E é forçoso que saiamos, porque Dã não tem lugar em Israel.
GADE
A essa tribo pertencem os perseverantes. Experimentado e provado, Gade é vitorioso em lugar de vencido. Disse o patriarca: "uma guerrilha o acometerá, mas ele a acometerá por sua retaguarda."
Em I Crônicas 8-15, homens de Gade juntaram-se a Davi quando este era perseguido por Saul. Eles olhavam a um triunfo por vir no qual se envolvia a reforma e a glória de Israel; e queriam ter parte nesse movimento. Foi dito que "seus rostos eram como de leões", que um dos menores "valia por cem homens e o maior por mim".
Quanto valor tem os homens de Gade! Quando chegam os dias sombrios, quando os adversários se erguem no caminho da obra de Deus, quando o coração dos homens está desmaiando de temor, então esses indômitos gaditas marcham avante para salvar a situação.
A falta de Gade é a intolerância. É a tendência de uma natureza intransigente, olhar com pouca compaixão as falhas e fraquezas dos outros. A severa luta que Gade sustenta, seus rígidos apego a sua fé e seus ideais e promessas, tendem a tornar incompreensíveis e repugnantes a seus olhos as maneiras inconsistentes, os processos de transigência dos homens diversamente situados ou constituídos.
OS FILHOS DO TALENTO
ASER
"Aser, o seu pão será abundante e ele motivará delícias reais", disse Jacó; e Moisés concluiu "Bendito seja Aser entre os filhos de Jacó, agrade a seus irmãos e banhe em azeite o seu pé". Aser é refinado e diplomata. Essas qualidades são em si mesmas verdadeiras graças cristãs, sendo classificadas entre as faculdades fortes. "Sejam de ferro e de bronze os teus ferrolhos, e como os teus dias durará a tua paz". Não é um ente fraco, nem um diletante esse membro da igreja de Cristo; é forte e resistente. Grande necessidade há de uma influencia que refine, do cavalheirismo de Cristo entre Seus seguidores, suavizando e dando graça a vida de seus irmãos. Sua atratividade pessoal, a tranquilidade de suas falas, ajudarão a pacificar o tumulto e acalmar o espírito alterado.
Não é em vão que o diplomata é representado como vivendo em meio a abastança. São os que não precisaram subir à custa de grandes esforços, privações e dificuldades. Geralmente, os que manifestam um temperamento suave e conciliador são mos possuidores do suficiente para star ao abrigo das necessidades.
Entretanto, se levadas muito longe, essas qualidades podem se tornar fastidiosas e a diplomacia degenerar em astúcia. Também é comum que esses abastados aseritas de tornem egoístas e opressores para com seus semelhantes menos afortunados. Mas a graça de Deus faz exceção no caso dos que se entregam a Ele.
NAFTALI
"Naftali é um gazela solta; ele profere palavras formosas". A Naftali pertencem os eloquentes. A eloquência é um grande dom. Não consiste meramente na facilidade de falar; esta pode ser simples loquacidade. Mas a posse de coisas mais essenciais como uma larga visão, poder de análise, fervor de espírito, intensa fé na causa, mais a facilidade de expressar-se compõem a eloquência. As queixas quanto a Naftali são de ordem prática. Não é disposto ao serviço como Issacar e é tentado a se envaidecer por suas virtudes.
FILHOS DO CONTRASTE
JOSÉ-EFRAIM
Em Efraim revela-se mais plenamente a força imperiosa e o espírito de seu pai José. Vigoroso, enérgico, por vezes autoritário, repetidamente em ciumento desafio à precedência de Judá, de Benjamim ou Manassés.
Todavia, não era ele um simples jactancioso. Dele saiu Josué, o espírito firme, esforçado, se bem que confiando pouco em si mesmo, o qual substituiu Moisés. Débora, Jeroboão foram efraimitas de destaque. Efraim não pretendia ocupar qualquer lugar humilde; todavia seu fervor, embora bastante egoísta, se analisado, era mais solícito por Israel do que por si próprio. Observa-se nele uma impulsividade muitas vezes aliada à arrogância, o que se pode discernir primeiramente em seu pai.
MANASSÉS
Possuindo muito do caráter de seu irmão, Manassés é mais tranquilo, retraído e modesto. Em Gideão de Manassés percebe-se quanta desconfiança de si mesmo e, no entanto, quanta competência!
BENJAMIM
É o mais novo, todavia, com exceção de Judá e talvez de Levi, o mais proeminente entre as tribos de Israel. Seu duplo caráter é bem descrito nas palavras de Jacó ao lado das de Moisés. Jacó o vê ousado e provocador, o lobo veloz, cruel e dado à pilhagem; manso e generoso apresenta-se ao lado de Moisés, docemente amigo e protetor. "O amado do Senhor habitará seguro com Ele: todo o dia o Senhor o protegerá e ele descansará em Seus braços" Gn 49:27. E assim era o caráter contraditório de Benjamim: obstinado, feroz, cegamente leal a sua palavra ou a seus preconceitos, destemido diante da desigualdade na luta, desdenhoso do perigo, vencendo o impossível, mas para com o perseguido, o necessitado, o temeroso, quão cuidadoso e benigno!
Tem seu melhor representante em Jônatas, príncipe inigualado em abnegação e valor. Da mesma forma, em Saul e Ester a natureza benjaminita ressalta de pronto.
Conclusão
Não são todos semelhantes, a não ser nos distintivos comuns do amor fraternal e do abnegado serviço. Ligados pelo voto de Cristo, eles se unem onde a preferência os havia de separar; cooperam, onde a escolha os colocaria em oposição; realizam, onde a natureza, dividindo, os faria fracassar. Pois um é seu Mestre, isto é Cristo; e todos eles são irmãos. E em seu coração e em sua vida, domina aquela primeira lei do Reino: "Assim como Eu vos amei, que também vos amei uns aos outros" Jo 13:34.
Espero que a leitura deste resumo o faça buscar mais da fonte! Tiago.




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